Friday, June 23, 2006

Hard-Fi

- Eu sei que minha assistência a esse blog beira o abandono, mas prometo dar um jeito nisso.

Meu tempo continua escasso (pra não dizer escravo). Quando eu achava que ia me dar descanso depois de duas semanas mergulhado num trabalho extra, concretizo o avisado no post anterior: eu tenho mesmo um gosto sádico por esgotar todo o meu tempo livre. Resolvi ser o capataz de mim mesmo e me presentear com mais um projeto.

Explico: todo sábado a partir das 18 horas, na FM Tropical, estarei no comando do 103 Hype. Um programa de informação e música. Música, música, música, cinema, quadrinhos e esportes radicais. Em doses pequenas claro, o mais importante é o som.

Portanto, foi esse o tal projeto que tomou o meu tempo na última semana. Na verdade ele já vinha sendo trabalhado há meses, mas como tudo se definiu só agora, a correria foi enorme pra deixar a casa em ordem.

E está. Todas as vinhetas, teasers, músicas, notas, informações, tudo pronto. Como um Todynho, que agora pode ser o seu companheiro de aventuras no início da noite do sábado.

O foco é estar sempre ligado no que toca lá fora, nas bandas novas, promessas, mas com uma pitada de pop, afinal de contas, de indie chato basta eu. Ah, e informar sobre os principais lances do cinema e dos quadrinhos. É isso. Espero que gostem. Caso não, mudem de estação, a vida é democrática =)

Ps1.: No primeiro programa rola a porrada do Wolfmother, o hype do Cansei de Ser Sexy e mais umas surpresinhas aí. Aguardem. Ouçam.

- O melhor da Copa tem sido poder trabalhar em paz quando o mundo pára. Êta sossegão! Ninguém perturba, ninguém procura, ninguém pede nada e assim eu adianto tudo.

- Tô devorando o que posso de livros! Maravilha! Acho que nunca estive com a leitura tão em dia, apesar da falta de tempo. Acho que a pressão me fez otimizar o tempo que sobra e reaproveitar o ocupado. E como ando bem satisfeito e caridoso esses dias, vai umas dicas:

* Os Senhores do Crime - Jean Ziegler.
* Jesus e Javé, Nomes Divinos - Harold Bloom
* Onde esta a sabedoria? - Harold Bloom
* Entre a Mentira e a Ironia - Umberto Eco
* Seis Passeios Pelo Bosque da Ficção - Umberto Eco

- Se quiser leitura rápida e de qualidade, não tem escape: a TPM desse mês vem na medida. A SET idem, com uma matéria irada sobre o novo Superman, que aliás estreou com ótimas críticas. A Bizz vem mais ou menos. A Playboy sensacional! Abaixo as máquinas de silicone!

- Ando lendo o mínimo possível sobre política. E quando leio, parece que a leitura está atualizada. Sacou?

- Hum... Essa semana não tem música pra download, fico devendo. Mas se quiser adiantar o serviço, use o seu e-mule e baixe:

* Hard-Fi
* The Living Things
* She Wants Revange
* Keane
* Mombojó (O Homem-Espuma)

- Bah! Eu quero cinema! Mas as coisas aqui andam estacionadas em X-Men, Código Da Vinci e Missão Impossível III.

- É isso. Chegaí! Qualquer hora eu volto e a gente bate um papo. Quem sabe eu ponho algo pra download. Mas só se o tempo der. Enquanto isso, vá ler a minha coluna no portal Matriz On Line. Parece que a coisa tá dando pé. Falows!

Tuesday, June 13, 2006

Time

- Meu tempo encontra-se absurdamente escasso. Nos últimos dias andei trabalhando como um condenado. Mas o pior é que gosto disso - por mais que pareça sádico. Às vezes tenho a impressão que possuo uma capacidade enorme de me adaptar a coisas exaustivas e lineares, desde que mexam mais com meu cérebro do que com músculos. Ainda não sei se isso é bom. Mas não deve ser.

Por causa da falta de tempo, passei os olhos correndo pelos jornais e revistas. Nada de novo. Nem o que parece ser. Há alguma coisa no mundo que ainda pode chocar?

- Quanto a invasão do MLST no Congresso Nacional, o que continua cada vez mais claro pra mim é como a política - partidária ou não - no Brasil (se quiser estender-se a América Latina, sinta-se à vontade) não tem parâmetros, ou ao menos parâmetros respeitáveis como o europeu ou a dicotomia americana. A coisa chega a ser surreal.

Nós temos um movimento de sem-terras comandado por um aristocrata pernambucano, uma sem-terra selvagem que ataca terminais informatizados, frutos do capitalismo e da globalização, usando piercing e tatuagem agregados a um visual mais americano impossível, incluindo o blue jeans igualmente globalizado.

Por outro lado, quando você procura referenciais, argumentos e análises dos fatos, o que encontra é uma mídia que no mínimo escreve mal pra caralho, sem conhecer o que fala, viciada, parcial e sem embasamento teórico algum.

Tudo bem que de teoria bastam as plenárias-fetiche da esquerda, mas o que mais se aproxima do palpável, chega a ser ridículo, tratando sempre o espectador deste circo como um palhaço.

Não quero ler Emir Sader, nem ouvir João Pedro Stédile, da mesma forma que já não tenho saco para a Veja, Época ou Istoé. Com raras exceções - Roberto Pompeu de Toledo e Guilherme Fiúza são duas delas - o que temos acesso (imaginem os excluídos disso tudo) é a um mar de mediocridade, textos pobres, opiniões idem.

No fim das contas, MSLT, Emir Sader, Veja, Globo, PT, PSDB e tudo que mereça atenção suficiente nesse país, para cair nas mãos dos ditos formadores de opinião, são nivelados por uma linha tão baixa, mas tão baixa, que às vezes acho que é uma vantagem enorme ser um alienado e viver assim: sustentado pelo Bolsa Família, alucinado pra saber quem é o pai de "Zúlia" e esquecendo quem sou, o que sei e só curtindo a Copa do Mundo.

- Paul Válery tinha razão: "No mundo das crenças, os fatos não penetram". Então me diga como diabos vou explicar a um brasileiro que eu acho futebol um saco, sem importância e que não é charminho meu, mas não consigo me empolgar nem um pouco com o que se vê na TV, 24 horas por dia atualmente? Todo mundo acredita no contrário. Bom, mas tinha que ser assim, afinal a unanimidade...

- 120 páginas depois de um dia de cão. Foi o que devorei na entrada da madrugada de ontem. "Os Senhores do Crime",de Jean Ziegler. Um mini-tratado sobre a decadência do estado nacional, o domínio do capitalismo, do neo-liberalismo globalizado e sua próxima fase: o crime organizado.

É assustador e ao mesmo tempo empolgante o que ele relata após anos de estudos, de como o crime organizado já é algo enraizado em todas as esferas do poder mundial. São relatos quase cinematográficos.

Seja no interior do Mato Grosso ou na Praça Vermelha, existe quase um mundo paralelo, uma Matrix, onde pessoas que têm um poder considerável sobre as nossas vidas de alguma forma, trasitam como meros anônimos, quando na verdade são bandidos da pior estirpe.

Ratos sanguinários com um acesso incrível aos mais diversos palácios, sejam eles de poder político ou judiciário, impunemente construindo impérios, que quem sabe, esteja Marx errado ou não, abrirão as portas da barbárie capitalista.

O pequeno resgate histórico da máfia italiana feito por Ziegler é de arrepiar. De como as "famiglias" conseguiram se estabelecer como "protetoras" do feudo na Idade Média, dos invasores na Idade Moderna e dos opressores políticos num passado não muito distante, até serem aos poucos sedimentados no seio da sociedade como uma coisa necessária, romantizada pelo cinema e símbolo de um estado paralelo, quando na verdade, ela atua em boa parte das vezes mesclada com o Estado institucionalizado.

Basta ver o acerto entre os americanos e as familías mafiosas de NY, que em contato com os capos que ainda estavam na Itália, conseguiram invadir sem problemas a Itália na Segunda Guerra Mundial. E tudo assim, despercebido pela sociedade média.

Chega a lembrar (e fazer referência) um pouco o Brasil, mas as coisas aqui ainda não são tão profissionais. Ainda. Mas um dia serão. Aliás, não foi um acerto semelhante que Brizola fez com os bandidos cariocas? Ou o governo de São Paulo agora com o PCC? Fica a pergunta no ar.

O problema é que como eu falei logo acima, aqui não se sabe nem o que danado é socialismo, esquerda, direita, o que dirá capitalismo! E são com as armas do mercado que o crime organizado mais sofisticado atua, claro, deixando um rastro de sangue.

É isso: no fim, o que você achar mais podre e pensar que o Estado - que existe para proteger o cidadão hipossuficiente - o combate, tenha certeza que são irmãos siameses. Seja lá quem tenha cooptado primeiro um ao outro.

Ah, e eu já tive o imenso prazer de assistir uma conferência com Jean Ziegler, ao vivo. Não há como esquecer, ele é brilhante.

- Não vi filmes esses dias. Acho que canalizei todas as minhas energias para o livro acima citado e uns discos que ando ouvindo. Em tempos de futebol, multidão, barulho e falta de bons filmes na salas, eu realmente correria um risco enorme de enlouquecer.

- Quem puder baixe o último disco do Grandaddy (que o nome esqueço agora). É último mesmo. A banda decidiu que, tendo em vista a inviabilidade financeira de continuar produzindo o seu indie folk rock classudo, não vão mais lançar discos ou fazer turnês. Uma pena. Mas é uma despedida sem erros e sem concessões horripilantes.

- Mais um disco imperdível: Wolfmother, homônimo. É como um "up grade" setentista, guitarrinhas sem medo do peso, melódicos sem melar a cueca e um vocal quase Ozzy, mas com o seu charme próprio. É um discão. Tocando sem parar por aqui.

Ok, o titio aqui dá uma colher de chá antes de você comprar o disco, que aliás, chegou ao Brasil essa semana. Mas baixe logo, o link só vale por uma semana (Colossal - Wolfmother):

http://www.yousendit.com/transfer.php?action=download&ufid=C0BCE9750792C4B4

(Basta copiar e colar no seu navegador)

Mais uma? Tudo bem. Como passei uns dias longe daqui, aqui vai uma banda bem decente: Band of Horses. Não tenho certeza, mas o disco não deve ter chegado ao Brasil ainda. Tá aqui embaixo (Wicked Gil - Band of Horses):

http://www.yousendit.com/transfer.php?action=download&ufid=362B93311A73F976

- Aliás, tenho uma TV à minha frente enquanto escrevo, sem volume. Mas vou te contar, de onde diabos saiu essa safra de publicitários tão imbecis a ponto de criar comerciais como o da Pepsi, o da Kaiser e/ou o do Guaraná Antarctica?! Minha gente, vocês acham mesmo que alguém vai mudar de refrigerante ou cerveja por causa de um deles? Ou pior: começar a beber por isso?

- O Brasil acaba de vencer a Croácia por um a zero. Enquanto isso eu escrevia este post, ouvindo Josh Rouse. Mas quer saber? Vou ouvir 1 x 0, de Pixinguinha, interpretada por Rafhael Rabello e Dino Sete Cordas. Um primor da música brasileira.

Saturday, June 03, 2006

Desconexas

- É
  • Time Stops
  • , do Teenage Fanclub, a música que você pode começar a baixar agora. É só clicar e seguir adiante.

    - Estive em Mossoró a trabalho, por dois dias. Confesso que um ranço em relação àquela cidade sempre povoou minhas considerações. Não será mais o caso. Conheci uma cidade completamente diversa de todas as minhas lembranças e impressões. Uma cidade de verdade, desenvolvida na melhor acepção da palavra.

    O que eu vi - saúde funcionando, educação, trabalho, saneamento, habitação, lazer, esporte e cultura - é algo que chega a ser assustador, já que o comum e infelizmente aceitável (vide Natal) é a mais completa ineficiência do poder público.

    Eu cheguei sem aviso prévio em vários postos de saúde da cidade e vi pessoas sendo atentidas com muito respeito, sem filas, com remédios na farmácia pública e médicos disponíveis 24 horas.

    Da mesma forma vi escolas muito bem equipadas, com laboratórios de informática, salas amplas, alunos e professores satisfeitos. Enfim, eu vi uma cidade arborizada e limpa, com lixeiras espalhadas por todos os lugares, inclusive na periferia.

    Vi um dos teatros mais bem equipados e confortáveis que já pude visitar - e foram muitos - com um sistema de som e luz de cair o queixo. E mesmo sem gostar de esporte algum, passei um bom tempo bestificado com a estrutura do ginásio da cidade. Coisa de primeiro mundo, primeiro mesmo, como o da Copa.

    É isso. O que eu vi não me torna uma gralha irritante ou pregador com disciplina de Mórmon, mas uma coisa é certa, aliás, duas: a quem eu puder recomendar a cidade, o farei e descrevendo tudo o que vi, desde que provocado. E outra: já sei para quem será meu voto nas próximas eleições.

    - Nossa, falei tão sério, né? Mas é tudo verdade =P

    - Eu era pra ter comentado antes, mas andei sem muita vontade de escrever: X-Men III é absurdamente lindo. Alguns dois ou três clichês realmente me irritaram (vide o clima Power Rangers em "Nós somos apenas seis, mas vamos lutar como um exército!"), a falta de aproveitamento do Arcanjo, a apatia da Fênix, enfim, mas no geral foi das coisas mais gratificantes sair do cinema depois de ver tudo.

    Sim, tudo, inclusive o que rola após os créditos. Já encomendei os três filmes, ao carinha que vende DVDs piratas ao lado Praia Shopping.

    - Eu às vezes me sinto realmente decadente: tenho ouvido muito Carole King.

    - Putz, sabia que o último lançamento de Philip Roth já chegou ao Brasil? Pois é, levante esse traseiro preguiçoso e viciado em internet da cadeira e compre hoje mesmo O Animal Agonizante.

    Na minha nada modesta opinião, fora os bambas do New Journalism acho que o escritor contemporâneo que melhor traduziu os dilemas do americano médio da metrópole, arraigado nas tradições que nem ele sabe mais de onde vieram e hesitante diante da grande maçã a ser mordida no mundo de tentações mundanas que os EUA produziram, é Roth.

    Com personagens palpáveis, cruéis consigo mesmo, angustiados mas acima de tudo bem humorados, Roth consegue descrever tantos dilemas que é invevitável não nos idenificarmos com alguns deles.

    Mas é tudo falso. Estamos no Brasil, Natal não é New York, e o nordestino é muito mais brucutu do que qualquer judeu tradicional do Queens. Mas vale à pena. É como se Roberto DaMatta misturasse o humor de Jaguar e escrevesse como Ubaldo Ribeiro, só que nascido ali, à beira do Hudson.

    - Ela gosta de Umberto Eco. É capaz de passar horas fazendo críticas literárias interessantíssimas sobre Ítalo Calvino e Nelson Coelho. Ela encontrou uma única vez na vida "A hora do Diabo" de Fernando Pessoa, apaixonou-se. Ela vibra ouvindo Badly Drawn Boy.

    Ela francês ao sabor da ocasião: com sotaque parisiense, de Lyon ou canadense de Montreal. Ela só toma suco se for sem açúcar, "pra sentir melhor o sabor de cada fruta". É minha mulher. E me dá um orgulho monstruoso.

    - "Às vezes eu acho que o mundo é uma cabeça e que nós estamos dentro de uma cabeça, que nos sonha" Trummer.

    - Você vai perder A Profecia, dia 06/06/06?! Eu não.

    - Shiloh?! Alguém me traz uma Berinshelah, faz favor (essa foi podre...)

    - Um dia a gente cansa de dizer o que as pessoas querem ouvir, pra ver o quanto é difícil falar o que elas precisam ouvir.

    - Você já experimentou ouvir o disco Yankee Hotel Foxtrot, do Wilco, num sábado à noite com um red ao lado?