Há tempos eu não assistia algo tão descabido, radical e deplorável como essa onda de protestos no mundo islâmico, contra uma série de charges publicadas num jornal da Dinamarca, onde o profeta (?) Maomé é satirizado, além de ter sua face representada.
Segundo as leis do Islã, a face de Alá, assim como a de Maomé, jamais devem ser desenhadas ou representadas de forma alguma. Tudo bem. Segundo as leis do Islã. Não as minhas leis, não as leis do ocidente.
O MEU mundo não deve explicações, satisfações e muito menos temor ao mundo islâmico, por absolutamente NADA. O protesto seria justo, e olhe lá, caso algum muçulmano dentro de país árabe - ditatorial, como a maioria - fizesse o mesmo do cartunista dinamarquês. O que não é o caso.
Dia desses recebi um vídeo satirizando a imagem de Cristo louco nas ruas de Los Angeles, dançando ao som de "I will survive", hino da causa gay. Você pode até execrar, pedir a morte de quem produziu o vídeo, mas jamais proibí-lo de fazer tal coisa. É um direito que assiste a quem não tem as mesmas crenças suas, mesmo ocidental.
Eu não posso exigir jamais, que alguém que não creia como eu, na imagem e nas considerações acerca de Cristo, tenha por ele o mesmo respeito que eu tenho. Você deve ser julgado quando destoa de algo que você mesmo acredita, ou que fere os princípios sob a égide de alguma religião da qual você é partícipe.
Não sendo o caso, e mesmo sendo, dependendo do senso de humor de cada um, qualquer um é livre para fazer o que bem entender, desde que não atinja o bem maior de cada um que é a vida.
Eu estou me locomovendo e defecando pra os princípios islâmicos, que em nada me interessam a não ser como badulaque histórico e cultura geral. E TENHO esse DIREITO. Eu vivo sem coca-cola, mas vivo muito mais sem o Corão.
Condene à morte, quem vive sob suas sanguinárias ditaduras - algumas até mantidas pelo ocidente, o que de certa forma é bem melhor que civilizar com princípios democráticos e gente como o Hamas chegar ao poder pelo voto - mas nunca ultrapasse os limites de suas fronteiras com uma fúria desmedida contra quem não tem interesse de seguir seus princípios.
Há tempos eu digo que o grande objetivo do Islã é desestabilizar o ocidente. O que volta e meia causa olhos tortos. Claro, é muito mais sensato e politicamente correto, e agradável aos pseudo-humanistas e esquerdistas, principalente latinos, se compadecerem com o sofrimento dos irmãos palestinos - jogados à própria sorte pelos próprios árabes, basta ver se algum país ao redor, mesmo a Síria, quer receber algum dos refugiados - iraquianos, paquistaneses e afegãos, talebans e toda sorte de radicais.
O problema, e isso é bem simples de perceber, mas por ser tão simples, parece tornar-se quase invisível, é que hoje, aqui, nesse mundinho que tanto gostam de jogar pedra, apontar defeitos e pecados e amaldiçoar o "império", eu posso dizer o que eu quero, discordar do governo, da política, da religião.
E isso, você não vai poder fazer, quando os árabes chegarem e transformarem cada esquina numa mesquita. Liberdade, essa coisinha que gostam tanto dizer que é "relativa", "falsa", "imposta" no ocidente, nos EUA, esse negócio que as mulheres mutiladas no interior da África por militantes muçulmanos, os gays apedrejados nos estádios de Teerã, as meninas mortas por serem meninas e não homens dispostos a explodirem por alguma causa jamais conhecerão.
Liberdade, de pichar um muro e escrever "fora!" seja lá o que for, de sair às ruas batendo panela e derrubar quem está no poder, de encher o seu computador de putaria com estoque pra dois meses de punheta, de escrever, cantar, queimar bandeiras americanas e israelenses em praça pública, de comparar Bush a Hitler e sair ileso.
Tente fazer isso, corra, você que se incomodou com esse texto, e vá fazer o mesmo nalguma rua de Meca, num mercado da Síria ou em frente à sede do Hezbollah. Discorde de quem você se compadece, tente, experimente, saia do seu conforto de burguesia culpada e vá defender as mulheres presas nas cadeias dos Emirados Árabes por não usarem a burca.
Não seja tão covarde ao ponto de ficar da sua cadeirinha giroflex repassando e-mails contando as barbaridades que acontecem em Guantânamo, querendo fingir que você poderia denunciar as mesmas coisas caso estivesse na Argélia ou no Marrocos.
Que os muçulmanos que não conseguem tolerar o que eu acredito fique por lá, que se explodam, preferencialmente de raiva. É um direito deles ter sua crença, seus preceitos, mas não queiram que eu tenha os mesmos, nem siga os mesmos costumes. Maktub!