Monday, February 27, 2006

Sono

Feito a cidade durante a madrugada. Reta. Macia. Vazia. Com dois ou três percalços que eu gosto de sentir na ponta dos dedos. Áspero. Doce. Ralo. Cravo da Índia. No cheiro e no gosto. Arde e eu curo o ardor mastigando mais. Você.

Há uma agradável simbiose entre seus lábios e o resto do corpo quando te faço cócegas. É bom de ver. E ficar calado e responder com os olhos quando você pergunta por que eu gosto dos seus dentes.

Não é bem o branco que me atrai. Prefiro as marcas, que até me lembram essas que os lençóis fazem nos nossos corpos ao longo da noite. Prefiro o olhar que vaga entre o lascivo e o pueril que se seguem a essas marcas.

Não. Não me cansa. Com você a exaustão chega a me escapar. Escadaria de azulejos portugueses, nobres. Retalho de fina seda. Gosto guardado na língua. Texturas repetidas por voltas dos dedos. Não é mais madrugada. Durmamos.

Thursday, February 23, 2006

Cinzas

- Ah, a mídia... Uma caixinha melhor que a de Pandora. Nem a Terra de Nárnia fabrica tantas ilusões.

Que o beijo de Bono na tal Katilce renda mais de
um milhão de scraps, e centenas de comunidades no Orkut, tudo bem. Afinal, é no Orkut mesmo que acontecimentos desse tipo merecem repercussão. E só lá.

Mas daí e transformar isso numa avalanche jornalística, com manchetes e matérias em todos os jornais impressos do país, rádios e TVs, além de uma falta de assunto tremenda, é falta de respeito com o leitor/ouvinte/telespectador.

O fato principal que deveria ter sido informado ("deveria" é uma palavra forte, né? No fundo o fato em si não tem importância alguma) não é o que aconteceu no show da banda em São Paulo, e sim, o que acontece em todo show, há quase uma década.

Aliás, Bono fez a mesmíssima coisa, quando veio ao Brasil com a turnê Pop Mart. E por que não foi manchete em todos os jornais? Porque àquela época, só a MTV transmitiu o evento. A Globo não. E a MTV como se sabe, por ser um veículo extremamente segmentado, não rende tanto assim, fica sempre nos dois ou três traços de Ibope.

Na segunda apresentação da banda na capital paulista, terça passada, uma gaúcha chama Desirê subiu ao palco. E conseguiu quebrar uma regra: ao contrário de With or Without You, a música que embala o "exclusivo" convite, Bono cantarolou Desire, numa pequena homenagem ao nome da menina, de 20 anos. Foi mais do que Katilce conseguiu. Mas a Globo não transmitiu. Ela não fez história.

Aliás, história desse tipo, só se faz por aqui. Ai ai...

- Chegamos ao século XXI, e as coisas que mais ameaçam a vida humana, vejam só, são desenhistas e galetos.

- Eu gosto de folk. Mas tudo tem limite, rs. O Black Rebel Motorcycle Club não chegou a me decepcionar com o disco Howl, apenas achei diferente e estranha a mudança de um rock cru e básico, para palminhas de folk gospel.

Agora foi a vez Jenny Lewis vocalista do Rilo Kiley, em álbum solo, recorrer ao mesmo expediente. Não é ruim, mas se isso virar moda, fica foda.

- Leiam "O que é poder?" de Gerárd Lanbrun. É um bom começo pra tentar dominar o mundo.

Próximos livros homenageados com a minha "conceituada" leitura =P: O Perfume, de Sussekind e O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini. Porque eu tenho coisas contra islâmicos, mas nada contra árabes, afegãos, iranianos etc.

- Óóóóóó! Vinícius - o documentário - chega amanhã à Natal. Numa sala péssima, sem inclinação, com um ar condicionado filho da puta e onde cabem 60 pessoas. Mas vai assim mesmo =)

- Você conhece Yann Tirsen? E Sufjan Stevens?

Post escrito ao som de Espatódia (agora sim o nome correto! Mas eu não posso contar de quem é ainda =P) e Brass in Pocket, do Pretenders.

Ps.: Eu sei que foi lindo, e na minha opinião o U2 é a maior banda de rock do mundo hoje, mas o meio-fim do show me obrigou a mudar de canal e ver um documentário sobre índios peruanos. Fiquei fascinado com uns lances alucinógenos lá.

Ps.2: Stones? Gostei muito. Ainda mais de ver no Sgt. Peppers Bar, vazio e comendo batata chilli-cheddar.

Thursday, February 16, 2006

Pipoca

Eu quero uma ponte, igualzinha a dos Rolling Stones, que vai do quarto deles no Copacabana Palace ao palco. Sim, na verdade eu quero quase um complexo viário de tantas pontes. Que sairiam da minha casa pro cinema, pro trabalho e no máximo cinco lugares que consigo frequentar feliz.

Os humanos, e com raríssimas exceções, estão cada vez mais me dando no saco. Resumindo: eu quero pontes.

- Munique: Comentei nalgum post abaixo. É um bom filme, e ponto. Fatos polêmicos, vá lá, é quase dever o cinema retratar, mas controverso e mal explicado como são os episódios que o filme retrata, quando unidos - ou tentados - a cinema de entretenimento puro e simples, finda em distorção da realidade. Continuo achando Lynn Cohen belíssima, no papel de Golda Meir.

Mas isso é um detalhe tão pequeno pra quem não se interessa pelo tema, nem se quer sabe quem foi ela, que quando vou comentar com alguém, acabo não resistindo. Lembro justamente de uma das cenas mais bregas do cinema nos últimos tempos: o cara fodendo com a mulher enquanto pensa no atentado de Munique, e gozando na hora da explosão do avião onde estavam os reféns. Minha gente...

- Syriana: Esqueçam do médico de E.R. George Cloney encontrou a luz. Dirigido pelo roteirista de Traffic, o filme é uma pedrada. Complicado de entender (não apenas pelo assunto, mas muito pela edição), denso, tratando de um tema indigesto ao império. Se perder um lance, danou-se. No cinema o filme não volta.

Cinema realidade, muito mais que diversão. O enfoque tem quatro frentes: um agente da CIA inescrupuloso que volta e meia faz jogo duplo, um advogado negro honesto à toda prova mas que entra num jogo de cartas marcadas entre empresas de petróleo, um consultor suíço que por acaso vira braço direito de um príncipe islâmico, e um jovem paquistanês que sem emprego acaba no terrorismo. Todas as histórias se cruzam. O círculo se fecha aos 45 do segundo tempo.

Merecia concorrer a melhor filme. Mas é claro que a academia, meiga e doce, prefere ser politicamente correta e premiar homossexuais, já que a causa está na moda, do que levantar o tapete ou meter o dedo na ferida do império. Normal.

- O Segredo de Brokeback Mountain: Belo filme. Fotografia impecável. Uma história simples, que é o que é, por tratar de homosexualismo. Um casal hétero ali não faria a menor diferença. Tem o mérito de não ser panfletário, de se deixar entender pelo sufoco dos personagens e metáforas, e não pelo descaramento que tira a curiosidade.

Aliás, descaramento mesmo, só nas cenas de sexo. Acho que desde um filme aí de Andy Warhol que fala de cowboys também, que esqueci o nome agora, nada no cinema de Hollywood era tão explícito. Mas não é chocante. A interpretação dos dois é memorável, a de Michelle Willians idem. Não gostei da trilha. Com tudo isso, ainda é pouco filme pra tanto Oscar.

- Johnny & June: Mais uma biografia careta de um personagem doidão. No entanto, muito melhor que Ray. Também aflito pela culpa de ter perdido um irmão, criado num ambiente hostil onde a atenção materna é uma ilha, Johnny Cash saiu do mato pra se tornar, na minha modesta (vá lá) opinião, um dos maiores intérpretes da música americana.

Joaquim Phoenix não tem os cacoetes que Jammie Fox adquiriu em Ray, sem contar que o personagem é uma espécie de Elvis marginal, mais sincero, e menos decadente. Pra quem gosta dele, é um desbunde de tanto sucesso, um a um, do primeiro single cantando Cry, Cry, Cry e Hey Potter, até Ring on Fire, além da sensacional Walk The Line, que dá nome original ao filme.

Vale pela história, que poderia ser contada de forma menos comportada. Mas é tudo real. De ele ouvindo June quando criança, até pedi-la em casamento em cima do palco, até as viagens pelo interior com Lewis, Perkins e Presley. A cena da gravação em Folson Prison é de arrepiar. Saí do cinema extasiado.

- A conclusão depois que saí de todos esses filmes é uma só: O Jardineiro Fiel não estar concorrendo a melhor filme, é uma das maiores injustiças dos últimos anos. Mas e daí? Quem precisa de Oscar pra ser perfeito?

- Humanos comendo pipoca e/ou doces no cinema são a coisa que mais se aproximam de um eqüino remoendo cana.

Escutem The Greatest, Cat Power. Porque melancolia, é uma das coisas mais charmosas que uma mulher pode ter.

Enquanto isso, eu ouço Estapádia (?). Posso contar ainda não, o que é. Mas é das coisas mais lindas que ouvi nos últimos tempos. Quarta estrela, três letras, uma estrada.

Ps.: Evite acidentes. Faça de propósito.

Sunday, February 12, 2006

Folia

- Um ano...

- Posso pôr adoçante no seu café?

- Não, eu odeio adoçante, você sabe. Cheiro bom o desse bolo. Você que fez?

- Sim. Mas, voltando... um ano... é pouco tempo não acha?

- Nunca.

- Parece que foi um dia desses... era carnaval...

- O tempo da gente é diferente, não se conta com segundos nem ponteiros. Nosso tempo a gente conta pelo que nos prometemos.

- E isso é quanto?

- Não é quanto. É como. São quais.

- Bobo. Risos.

- Sério.

- Me diz uma...

- De ficarmos juntos, até que nossas xícaras brancas de nobre porcelana, amarelem por causa do café de todos os dias, no fim da tarde.

- Ah, e que a asa da xícara se rompa de tão velha! Risos.

- Mas assim você vai queimar seus dedos! Risos.

- E não é assim mesmo? Metade um leve desespero de ter que segurar com a ponta dos dedos e queimar a língua. A outra metade é cheiro, gosto e marca do café na nossa boca. Somos assim. Nós dois. Frágeis e irresistíveis.

- ...

- Era carnaval... cidade vazia. Por alguns instantes naqueles dias, eu achei que não iria dar certo. Que era tudo por enquanto, talvez e quem sabe. De carnaval. Mas foi...

- ... foi você. Nos seis dias de folia silenciosa. Com tudo de mais amargo e doce, de uma só vez. Foi a gente renascendo com xícaras, promessas, café e gosto, assim que amanheceu a quarta-feira de Cinzas.

- Fênix?

- Amor é isso. É assim.

- Isso quer dizer que podemos comprar xícaras novas, quando a asa dessas quebrarem! Risos.

- Era carnaval...

Depois ficamos nós. Dividindo uns poucos goles de café e umas fatias de bolo de laranja. Com a mão mesmo, pra esfregar os dedos levemente e deixar os farelos caírem na toalha da mesa. Entre um silêncio e outro, ainda medo. Depois do medo o cais. Em forma de suas coxas. Navego. Até adormecermos ali. Entre a sala e a cozinha. No chão. Em plena quarta-feira de Cinzas.

Thursday, February 09, 2006

Boas e novas

- Os reis do hype, já não são hypes. O que se vê hoje em torno do Arctic Monkeys, uma correria histérica e supervalorização de bandas médias que ainda precisam ralar muito pra firmar o nome, na verdade foi inaugurado com o disco Is This It, dos Strokes.

Alçados ao estrelato antes mesmo de lançarem o disco, graças ao Emule e Soulseek, a expectativa não foi frustrada. Is This It é um disco histórico, sem retoques, cru. Pra mim, junto com o Songs for a Deaf do Queens of The Stone Age, é o disco que abre o rock do novo século.

Mas e daí? E daí que hype é hype, ou seja: passageiro. Room on Fire, o segundo dos Strokes, já não conseguiu receber tanta atenção como a estréia, apesar da lenda de ter sido gravado numa só tacada do Is This It, pra não perder a energia. Pode ser.

O fato é: Firts Impressions os Earth, o mais recente, é um disco enfadonho, sem fôlego. E pra quem acusava o grupo de ter tudo sempre calculado, inclusive os cabelos despenteados pra dar impressão de desleixo, o grande problema desse disco é justamente esse: pensaram demais, calcularam demais.

Falta espontaneidade, menos esmero, mais ruído e sujeira. Foi isso que fez deles hype. A falta disso pode findar numa linha decrescente na carreira, ainda recente.



- É isso mesmo. A bicha velha, celibatária e genial, vulgo Morrisey está chegando. A música "Dear God, please help me" já caiu na rede, é só baixar no Emule. É sinfônica, melancólica, com belos arranjos de cordas com acento em Enio Morricone. O disco foi todo gravado no verão em Roma. É lindo.

- Sim! O novo filme de Sofia Coppola já está com trailler rolando na rede. Pena não repetir a dose com Scarlet Johansen, mas Kirsten Durst tá valendo!

- Playboy nova nas bancas. Sem graça, sem graça... xota comum, além de uma menina com cara de pelo menos dez outras que já posaram pra revista. Saco.

- Um dia nublado. Frio. Soturno. Ouça Chan Marshall, que atende no mundo indie pelo belíssimo projeto Cat Power. Seu novo disco The Greatest é leve, frágil, sexy, doce. A receita é a de sempre: uma voz linda, letras tristes, piano cristalino, e dessa vez elementos de soul music impecáveis. Entre eles, a participação luxuosa de Mabon Hodges, guitarrista e parceiro de Al Green. Imperdível.

- Um dia eu gostei de Hip Hop americano. Claro que sem contar as misturas dos Beastie Boys e o roots do Cypress Hill ou Rum DMC. Eu já gostei de R&B também. Mas isso, era no tempo de The Fugees.

Foi de lá que saíram Lauryn Hill e Wyclef Jean. Quem prestou um mínimo de atenção na música dos anos noventa, não pode esquecer de pôr na lista essa galera aí. Estão voltando. Depois de dez anos. Clap!

- Essa semana ainda, comento O Segredo de Brokeback Mountain.

Post escrito ao som de The Greatest, Cat Power. Porque saudade deixa qualquer sol com cara de nuvem carregada.

Sunday, February 05, 2006

Muhamad

Há tempos eu não assistia algo tão descabido, radical e deplorável como essa onda de protestos no mundo islâmico, contra uma série de charges publicadas num jornal da Dinamarca, onde o profeta (?) Maomé é satirizado, além de ter sua face representada.

Segundo as leis do Islã, a face de Alá, assim como a de Maomé, jamais devem ser desenhadas ou representadas de forma alguma. Tudo bem. Segundo as leis do Islã. Não as minhas leis, não as leis do ocidente.

O MEU mundo não deve explicações, satisfações e muito menos temor ao mundo islâmico, por absolutamente NADA. O protesto seria justo, e olhe lá, caso algum muçulmano dentro de país árabe - ditatorial, como a maioria - fizesse o mesmo do cartunista dinamarquês. O que não é o caso.

Dia desses recebi um vídeo satirizando a imagem de Cristo louco nas ruas de Los Angeles, dançando ao som de "I will survive", hino da causa gay. Você pode até execrar, pedir a morte de quem produziu o vídeo, mas jamais proibí-lo de fazer tal coisa. É um direito que assiste a quem não tem as mesmas crenças suas, mesmo ocidental.

Eu não posso exigir jamais, que alguém que não creia como eu, na imagem e nas considerações acerca de Cristo, tenha por ele o mesmo respeito que eu tenho. Você deve ser julgado quando destoa de algo que você mesmo acredita, ou que fere os princípios sob a égide de alguma religião da qual você é partícipe.

Não sendo o caso, e mesmo sendo, dependendo do senso de humor de cada um, qualquer um é livre para fazer o que bem entender, desde que não atinja o bem maior de cada um que é a vida.

Eu estou me locomovendo e defecando pra os princípios islâmicos, que em nada me interessam a não ser como badulaque histórico e cultura geral. E TENHO esse DIREITO. Eu vivo sem coca-cola, mas vivo muito mais sem o Corão.

Condene à morte, quem vive sob suas sanguinárias ditaduras - algumas até mantidas pelo ocidente, o que de certa forma é bem melhor que civilizar com princípios democráticos e gente como o Hamas chegar ao poder pelo voto - mas nunca ultrapasse os limites de suas fronteiras com uma fúria desmedida contra quem não tem interesse de seguir seus princípios.

Há tempos eu digo que o grande objetivo do Islã é desestabilizar o ocidente. O que volta e meia causa olhos tortos. Claro, é muito mais sensato e politicamente correto, e agradável aos pseudo-humanistas e esquerdistas, principalente latinos, se compadecerem com o sofrimento dos irmãos palestinos - jogados à própria sorte pelos próprios árabes, basta ver se algum país ao redor, mesmo a Síria, quer receber algum dos refugiados - iraquianos, paquistaneses e afegãos, talebans e toda sorte de radicais.

O problema, e isso é bem simples de perceber, mas por ser tão simples, parece tornar-se quase invisível, é que hoje, aqui, nesse mundinho que tanto gostam de jogar pedra, apontar defeitos e pecados e amaldiçoar o "império", eu posso dizer o que eu quero, discordar do governo, da política, da religião.

E isso, você não vai poder fazer, quando os árabes chegarem e transformarem cada esquina numa mesquita. Liberdade, essa coisinha que gostam tanto dizer que é "relativa", "falsa", "imposta" no ocidente, nos EUA, esse negócio que as mulheres mutiladas no interior da África por militantes muçulmanos, os gays apedrejados nos estádios de Teerã, as meninas mortas por serem meninas e não homens dispostos a explodirem por alguma causa jamais conhecerão.

Liberdade, de pichar um muro e escrever "fora!" seja lá o que for, de sair às ruas batendo panela e derrubar quem está no poder, de encher o seu computador de putaria com estoque pra dois meses de punheta, de escrever, cantar, queimar bandeiras americanas e israelenses em praça pública, de comparar Bush a Hitler e sair ileso.

Tente fazer isso, corra, você que se incomodou com esse texto, e vá fazer o mesmo nalguma rua de Meca, num mercado da Síria ou em frente à sede do Hezbollah. Discorde de quem você se compadece, tente, experimente, saia do seu conforto de burguesia culpada e vá defender as mulheres presas nas cadeias dos Emirados Árabes por não usarem a burca.

Não seja tão covarde ao ponto de ficar da sua cadeirinha giroflex repassando e-mails contando as barbaridades que acontecem em Guantânamo, querendo fingir que você poderia denunciar as mesmas coisas caso estivesse na Argélia ou no Marrocos.

Que os muçulmanos que não conseguem tolerar o que eu acredito fique por lá, que se explodam, preferencialmente de raiva. É um direito deles ter sua crença, seus preceitos, mas não queiram que eu tenha os mesmos, nem siga os mesmos costumes. Maktub!

Thursday, February 02, 2006

So much for the city

O Coachella Music Festival é um dos mais respeitados festivais do mundo. Tem uma estrutura invejável de camping para o público, que durante dois dias mora por lá e se esbalda com um line up que inclui, além de nomes consagrados, as maiores promessas do pop mundial. Na maioria dos casos, acertadas. Bem como uma série de ótimas bandas de pequeno e médio porte, mas imperdíveis.

Nessa turba toda, você corre o risco de assitir um show do Coldplay, e perder ao mesmo tempo um do New Order e outro do Radiohead. Resumindo: entrar nesse rol é tão fácil para um artista fora do primeiro mundo, como acertar na Megasena.

Mas Seu Jorge conseguiu. Sim, o rapaz que posa de malandro do morro e veste Armani, que despontou em Cidade de Deus, que desgraçou The Blower's Daughter de Damien Rice junto com a vaca da Ana Carolina, e ousou fazer versões podres em português, de clássicos de David Bowie, está lá.

No entanto ainda há redenção, mas sem concessões tão medíocres. Basta ver o caminho apontado nos discos Samba Esporte Fino, e o luxuoso e pra poucos ouvidos, Cru.

Mas sério, eu não quero imaginar os "testes do sofá" que o produtor desse rapaz fez pra conseguir botar o negão lá =P

- Escutem Leslie Feist, canadense linda, que eu descobri depois da participação dela num disco do Kings of Convenience. É de muito bom gosto e competência o repertório da moça.

- Ou se preferir algo mais... sensual, ouça Black Box Recorder, um filhote sexy do Jesus and Mary Chain, com rosto de mulher.

- Estou terminando de ler O Jardim das Carícias. O livro é um catálogo de contos eróticos árabes (isso mesmo, eu já disse que a única coisa universal é mesmo a putaria, né?), que por séculos e séculos foi transmitido de forma oral pelos beduínos, escondidos e burlando as severas leis que mandam queimar no mármore do inferno quem reproduzir as histórias. Tem de tudo. Eu disse TUDO.

- Vi Munique, de Spielberg. Bom filme. Ambientação impecável, a semelhança de Lynn Cohen com a "grande mãe" Golda Meir, é assombrosa, emocionante para quem a admira. É uma grande produção, enfadonha às vezes e com uns furos no roteiro.

O problema que eu vejo, e por ser um filme histórico, é a impressão que dá ao expectador da veracidade dos fatos. O que é controverso, afinal, mesmo o atentado, como o que se deu depois na retaliação do Mossad, é algo obscuro até hoje. Sem contar o amadorismo dos agentes secretos, quando na verdade sabe-se que o Mossad é o serviço secreto mais eficiente do mundo. Mas tá valendo. Nota 8.

Ps.: Eu fico imaginando se esse filme fosse dirigido por Peter Jackson... Duração de 5 horas, e batalha entre chineses e mongóis no século 5 antes de Cristo. Só pra acrescentar algo que não tem nada a ver com a história, vide King Kong e dinossauros.

- Existem mulheres, mulheres, e existe Monica Bellucci. Grávida, nua, linda. Como sempre.

Serjão, impecável nos comentários, como sempre: "A ****** mais bem lavada do BBB6 é a da Mariana. Ontem, 10 da noite, ela ficou 5 minutos lavando a ****** embaixo do chuveiro da piscina. Depois tirou a mão de dentro do biquíni, deu um tempo e mandou repeteco: mais uns 2 minutos de tchecotcheco. Só não entendi o desprezo pelo **: não dedicou a ele mais do que 10 segundos."

- Estou pensando em voltar a sortear discos, como eu fazia no blog antigo. Amadurecendo idéias. Voltaí, quem sabe eu decido pelo sim, rs.

Post escrito ao som de The Thrills. Porque saudade é um troço que sem trilha sonora, dói mais ainda.