Plástico
Madrugada. 4 da manhã. Massive Attack, Tear Drop rolando no som. Eu e Caio. Apresentação perfeita do Autoramas, há menos de meia hora atrás. A cabeça longe, papos de dez anos atrás. De como as coisas eram mais vivas, diversas, criativas.
Num curto espaço de três anos e pouco, no meio da década de 90, uma pá de discos que podem mudar a vida de muita gente. E mudaram. Eu sei que a gente parecia criança empolgada num gamestation, lembrando de coisas que escutávamos àquela época e até hoje. Uma década explosiva, animal, monstruosa, confusa, fértil, louca.
1994 em especial. Num ano só, e no atacado: Oasis com Definitely Maybe, Chico e a Nação com Da Lama ao Caos, Mundo Livre e Samba Esquema Noise, Nirvana Unplugged, Dummy do Portishead, Blue Album do Weezer, Parklife do Blur, Grace de Jeff Buckley, Raimundos estreando, Pavement e Crooked and Rain, Nine Inch Nails e The Downward Spiral, Beck com Mellow Gold, Beastie Boys e III Comunication, Orange do Jon Spencer Blues Explosion, Superunknow do Soundgarden, o segundo disco do Stone Temple Pilots maravilhoso, Siamese Dream do Smashing Pumpkins (trilha da minha pneumonia!!!), o boom do ska, ad infinitum.
Sem contar a década toda com o Britpop, o Grunge, Pearl Jam, King for a Day do Faith no More, Goo do Sonic Youth, Grand Prix do Teenage Fanclub ( !!! ), Supergrass, Elastica, The Orb, The Eels, a nova música eletrônica, as mortes precoces no Nirvana, Blind Melon, Hole, Jeff Buckley, Layne no Alice in Chains.
Pra todo lado coisas novas, diferentes, cada um na sua praia, todo mundo interagindo a todo tempo, mistura, alfaia com guitarra, movimento aqui e lá fora, guetos, saindo dos guetos, a mídia - rádio, tv, e jornal - concentrados no lançamento dos singles do Oasis e do Blur num só dia em setembro de 95. Cara, a capa do Sunday Times foi a mãe dos Gallagher com uma capa do disco do Blur na mão!
O Skank estourando em 94, o Pato Fu um ano depois como disco Gol de Quem. E teve o Rappa, ainda reggae, depois dub e A Feira, Pescador de Ilusões. Teve até Cidade Negra, com A Sombra da Maldade.
Protection do Massive Attack, o trip hop, Tricky, Goldfrapp, Beth Gibbons and Rusty Man forjando um novo progressivo, viajando em frequências psico total. Teve Radiohead invadindo a América com The Bends, e cá no terceiro mundo Jorge Cabeleira, Mestre Ambrósio, Devotos, Roots do Sepultura.
As raves já rolando a todo vapor nos Squats europeus, Hollywood Rock com Plant, Woodstock com Porno For Pyros, Cypress Hill e uma penca de gente boa. Todo mundo dançando com o "Xalálálálálá" de Mr. Jones =)
E o mais impressionante, isso tudo ainda ao alcance dos ouvidos, sem a facilidade toda de emules, soulseeks e outras paradas, tudo na base da fita K-7 TDK (uhauhauhauha!), MD e LP's ainda.
E repito: cada um fazendo uma coisa diferente, tudo agora e ao mesmo tempo, um novo referencial de cultura pop, um novo front, que nem sempre a mídia conseguia acompanhar com fidelidade e a tempo, nenhum Lester Bangs pra registrar isso tudo com as vísceras.
Enfim, isso tudo é pra dizer que eu me sinto constrangido de ligar o rádio hoje em dia e ouvir mil coisas fazendo a mesma coisa. Tudo plastificado, embalado a vácuo e haja Simple Plan, My Chemical Romance, Credd, Nickelback, Hoobastanck, etc. É lastimável.
É por isso, que com raras exceções pruma pá de coisa indie legal que tá aparecendo, e independentes brasileiros, minha radiola se nega terminantemente a deixar a década passada de lado.
E eu espero que não demore a ser cultuada. Porque basta dessa palhaçada de 20 e poucos anos, de ficar misturando Smiths com Ilariê. Basta de tanta merda feita hoje em dia sem criatividade nenhuma, de todo mundo fazer a mesma coisa sempre, feito disco produzido por Rick Bonadio =P
É isso. Toca emo o caralho!
Ps.: Não estou com saco, paciência, parcialidade suficiente pra comentar a vitória do Hamas na Palestina. Eu estou cansado, decepcionado com raiva e confuso. E tenho esse direito.
Num curto espaço de três anos e pouco, no meio da década de 90, uma pá de discos que podem mudar a vida de muita gente. E mudaram. Eu sei que a gente parecia criança empolgada num gamestation, lembrando de coisas que escutávamos àquela época e até hoje. Uma década explosiva, animal, monstruosa, confusa, fértil, louca.
1994 em especial. Num ano só, e no atacado: Oasis com Definitely Maybe, Chico e a Nação com Da Lama ao Caos, Mundo Livre e Samba Esquema Noise, Nirvana Unplugged, Dummy do Portishead, Blue Album do Weezer, Parklife do Blur, Grace de Jeff Buckley, Raimundos estreando, Pavement e Crooked and Rain, Nine Inch Nails e The Downward Spiral, Beck com Mellow Gold, Beastie Boys e III Comunication, Orange do Jon Spencer Blues Explosion, Superunknow do Soundgarden, o segundo disco do Stone Temple Pilots maravilhoso, Siamese Dream do Smashing Pumpkins (trilha da minha pneumonia!!!), o boom do ska, ad infinitum.
Sem contar a década toda com o Britpop, o Grunge, Pearl Jam, King for a Day do Faith no More, Goo do Sonic Youth, Grand Prix do Teenage Fanclub ( !!! ), Supergrass, Elastica, The Orb, The Eels, a nova música eletrônica, as mortes precoces no Nirvana, Blind Melon, Hole, Jeff Buckley, Layne no Alice in Chains.
Pra todo lado coisas novas, diferentes, cada um na sua praia, todo mundo interagindo a todo tempo, mistura, alfaia com guitarra, movimento aqui e lá fora, guetos, saindo dos guetos, a mídia - rádio, tv, e jornal - concentrados no lançamento dos singles do Oasis e do Blur num só dia em setembro de 95. Cara, a capa do Sunday Times foi a mãe dos Gallagher com uma capa do disco do Blur na mão!
O Skank estourando em 94, o Pato Fu um ano depois como disco Gol de Quem. E teve o Rappa, ainda reggae, depois dub e A Feira, Pescador de Ilusões. Teve até Cidade Negra, com A Sombra da Maldade.
Protection do Massive Attack, o trip hop, Tricky, Goldfrapp, Beth Gibbons and Rusty Man forjando um novo progressivo, viajando em frequências psico total. Teve Radiohead invadindo a América com The Bends, e cá no terceiro mundo Jorge Cabeleira, Mestre Ambrósio, Devotos, Roots do Sepultura.
As raves já rolando a todo vapor nos Squats europeus, Hollywood Rock com Plant, Woodstock com Porno For Pyros, Cypress Hill e uma penca de gente boa. Todo mundo dançando com o "Xalálálálálá" de Mr. Jones =)
E o mais impressionante, isso tudo ainda ao alcance dos ouvidos, sem a facilidade toda de emules, soulseeks e outras paradas, tudo na base da fita K-7 TDK (uhauhauhauha!), MD e LP's ainda.
E repito: cada um fazendo uma coisa diferente, tudo agora e ao mesmo tempo, um novo referencial de cultura pop, um novo front, que nem sempre a mídia conseguia acompanhar com fidelidade e a tempo, nenhum Lester Bangs pra registrar isso tudo com as vísceras.
Enfim, isso tudo é pra dizer que eu me sinto constrangido de ligar o rádio hoje em dia e ouvir mil coisas fazendo a mesma coisa. Tudo plastificado, embalado a vácuo e haja Simple Plan, My Chemical Romance, Credd, Nickelback, Hoobastanck, etc. É lastimável.
É por isso, que com raras exceções pruma pá de coisa indie legal que tá aparecendo, e independentes brasileiros, minha radiola se nega terminantemente a deixar a década passada de lado.
E eu espero que não demore a ser cultuada. Porque basta dessa palhaçada de 20 e poucos anos, de ficar misturando Smiths com Ilariê. Basta de tanta merda feita hoje em dia sem criatividade nenhuma, de todo mundo fazer a mesma coisa sempre, feito disco produzido por Rick Bonadio =P
É isso. Toca emo o caralho!
Ps.: Não estou com saco, paciência, parcialidade suficiente pra comentar a vitória do Hamas na Palestina. Eu estou cansado, decepcionado com raiva e confuso. E tenho esse direito.

