Wednesday, May 03, 2006

O rock não acabou

Há quem diga que o rock errou. Outros não apostam nenhuma ficha no seu futuro. Mas a verdade é que ele está bem vivo, e convenhamos, politicamente correto a ponto de se reciclar todos os dias. Para quem nasceu sob a égide da contestação, mudar sem perder o tom é o grande segredo.

Desde que o rock se entende por gente ele dialoga com si mesmo e com o público, revisando, recriando e – que mal há? – copiando influências. Dessa forma ele se adaptou às mais diversas épocas e necessidades, o que garantiu até agora, uma história decente para um senhor sexagenário e um futuro promissor como de um jovem.

E dentre as coisas que nasceram dessa constante reciclagem do rock, inclusive no Brasil, uma das mais promissoras é sem dúvida a banda carioca Moptop.

Citado recentemente por uma publicação especializada, como uma das 13 bandas ao redor do mundo que merecem atenção redobrada, o grupo mostra no som que produz, o óbvio gratificante: o rock não acabou.

A banda que traz no nome uma referência à rebeldia - à época o corte de cabelo dos Beatles era considerado uma heresia - começou a despertar atenções da forma mais adequada na era da informação instantânea: via internet. "Hypada" já com as primeiras gravações caseiras, o grupo ganhou o cyberespaço e atraiu além de fãs, o olhar cuidadoso dos bons produtores.

Tanta curiosidade começou a se espalhar com o lançamento do EP Demo “Moonrock”, gravado em low-cost, com recursos limitados, mas fiéis às intenções da banda. Antes disso, uma primeira Demo havia sido gravada com músicas em inglês, ainda nas cinzas da Delux, nome que a banda precisou mudar para evitar pendengas jurídicas.

A repercussão foi a melhor possível, a banda cavou seu espaço em festivais consagrados como o Humaitá Pra Peixe, Bananada e Claro Que é Rock, e conseguiu num espaço de alguns meses, abrir os shows históricos das bandas britânicas Placebo e Oasis.

Além disso, o site do grupo, desenvolvido por seus membros, concorreu à prêmios na MTV brasileira e na competição organizada pelo festival norte americano SXSW. Acredite, não é pouco.

E tanto não é, que a banda acabou de assinar um contrato promissor com a major Universal e em breve deve invadir as rádios do país e sair do circuito underground merecidamente.

Qual o segredo? Um som forjado na nova onda do rock de garagem com pitadas de saudosismo retrô. Quiçá, uma referência ou outra ao Los Hermanos, nem que seja nos vocais de Gabriel Marques.

O Moptop consegue reciclar diversas influências que vão da simplicidade sonora dos anos 60, com alguns elementos punks preconizados por Iggy Pop, e porque não, um caldo do que vem sendo produzido atualmente como Franz Ferdinand e The Strokes.

Cópia? Imitação? Não senhores, reciclagem e influência às suas ordens. Troque Strokes por Buddy Holly e Franz Ferdinand por Television, e chegamos à raiz da questão. Pronto, aí está o som do Moptop.

Músicas como “O rock acabou” e “Moonrock”, merecem muito mais do que considerações mesquinhas e rótulos. Empolgam, são cruas na medida certa, têm boas letras e conseguem empatia de cara com um público cada vez mais exigente, tendo em vista o punhado de coisas novas que surgem na última hora.

Com letras versando sobre amor, medos e frustrações cotidianas, a banda consegue entornar temas recorrentes com a fúria de riffs bem sacados, e um flerte com música eletrônica apesar da sonoridade tradicional. A banda é formada por Gabriel Marques, Daniel Campos, Mario Mamede e Rodrigo Curi.

Não se deixe levar – o seu corpo está livre para se jogar com a melodia – pelo trecho pessimista “O rock acabou / melhor ligar sua TV...”, da música “O Rock Acabou”. É puro jogo de cena da banda. O rock está vivo, mais do que nunca e o Moptop é a prova disso.

Como essa engrenagem de reciclagem, diálogo, empatia e crueza funciona, você vai conferir no último dia do Festival Tim MADA, quando a banda sobe ao palco da Arena do Imirá. É sempre bom ver um velhinho tão safado como o rock, chacoalhando como um garoto de vinte e poucos anos.

2 Comments:

Anonymous Daniel Censoni said...

O rock se recicla mas como é bom ouvir o bom, velho e "sujo" rock renascer!!!

7:09 AM  
Anonymous Laís Flores said...

Nem fiquei com inveja de quem vai pro Mada... na época em que eu morava em Natal não tinha esses festivais não... ou será porque eu pouco conhecí a cidade? Ou será porque eu era nova demais? Não, não... lembro que só tocava Morango do Nordeste... hahaha

Enfim, que bom que o rock não acabou! Mas ainda insistimos em dizer que Elvis não morreu, Cazuza vive, Paul McCartney tem um sósia... e por aí vai... hahaha!!!

8:45 AM  

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