Delay
Bom, com um atraso de uma semana resolvi fazer algumas considerações sobre o último dia do MADA 2006 e o festival todo, mais como expectador do que jornalista.
No geral acho que o evento chegou a um tamanho e formato ideais e invejáveis, e que deve crescer pouco além disso. Já consegue romper a barreira de ser mídia espontânea facilmente, atrai atenção de muita gente de várias partes do país e conserva problemas provincianos.
Entre os tais problemas, um local que apesar de enorme e agradável - ao lado do mar é realmente para poucos - é um buraco, literalmente, irregular, sem locais para pôr lixo e com qualqier chuva o que era areia e barro vira lama num estalo de dedos. Eu sei que quem tá no rock é pra se fuder, mas não custa nada ter um mínimo de conforto.
Um outro ponto negativo, e que me desperta graves e sérios instintos terroristas são os camarotes. Se bem que muitas vezes eu acho essencial um camarote. De verdade: odiaria dividir o mesmo metro quadrado com as mazelas que povoam esse chiqueirinhos modernosos.
É uma tremenda falta de respeito com as bandas, e com o próprio festival, independente, ter um camarote com um som na mesma altura física do palco principal, espalhando um imundo bate estaca como se no restante do evento não estivesse acontecendo nada.
O camarote do patrocinador é mais que compreensível, e educado, diga-se de passagem, mas o seguinte merece ser TRITONrado, ou então, já que o DJ é o que mais importa, com a abertura virada para a tenda eletrônica. Aliás, o que importa ali além da pose e do desfile?! Camarote Sucks! Quer curtir? Vem mostrar que sua escova japonesa realmente funciona: na chuva!
Mas vamos ao que interessa: BANDAS! Por partes, como diria Jack.
O Sete: Grudento, radiofônico, mas não acrescenta nada ao que já se produz em dezenas de bandas cariocas atualmente. Aliás, apesar do montante de bandas de lá interessadas em vir ao MADA, conta-se nos dedos as que merecem realmente atenção, O Sete, apesar da boa excução das músicas e vocação pra ser trilha de Malhação, não está na minha lista de cariocas insuperáveis.
Filhos da Judith: A não ser pela abordagem bem humorada do rock, a banda cai na vala comum. Aliás, a cena carioca com essa homogeneização de bandas, lembra o estouro do pop rock cover em Natal no fim da década passada, não em estilo, mas em padronização. Segundo lugar muito distante do merecido Cabaret, nas eliminatórias do festival.
Tantra: Valeu pela lenda, por ver o cara da banda que salvou muitos jovens da morte ou levou-os à ela, vivo, tocando, envelhecendo pouca coisa além do que já se via nas capas dos discos da Legião. Marcelo Bonfá era ali um misto de múmia e novo, afinal muita gente ainda canta - e cantou! - Legião no show. De resto, foi bem lastimável. Fred Nascimento é desafinado, as músicas são bobas, chatas, deve ter sido muito melhor pros caras, viajarem, verem o mar e tanta gente ainda empolgada com "quando o sol nascer na janela do seu quarto...", pra eles. E só.
Ímpar: O Sete mineiro, com menos peso. Letras de banda gospel, execução de banda primária. Às vezes o que faz a banda parecer bem melhor do que é, é realmente a estrutura de primeira que o festival dá a cada uma delas. Muitas não merecem. Não é o caso do Ímpar, até merecem, mas não sairão disso.
Relespública: Das melhores apresentações do festival. Dez anos na estrada não é pouca coisa, confere maturidade, segurança e apesar da monotemática boba das músicas, conseguem mostrar serviço sem muito esforço. Vale à pena a repercussão que terão com a sequência MTV-MADA, é justa, mas como não é fácil de manter, muita estrada é só o que sustentará o nome dos caras nos palcos do país.
Cansei de Ser Sexy: Quem conhece um mínimo sobre meu gosto musical, nem sonha como me senti um pregador no deserto durante todo esse tempo tentando convencer que o CSS é fenomenal. Sabe aquele filme Nove Canções? Pois é: sexo e rock and roll. Mas há quem insista em tirar do filme aspectos sócio-políticos cosmo-filosóficos, quando na verdade é tudo simples e prático. CSS é diversão, diversão e diversão. Esqueça seus preconceitos e se jogue. Foi isso que eu vi um público ensandecido fazer diante do palco. Antológico. Pros anais do MADA.
Moptop: E já que falei de cariocas no início das resenhas, chegamos ao nome do que realmente importa. O melhor show, o mais profissional, o futuro mais promissor e justo. Digam o que quiser - e as pessoas realmente precisam de referências e comparações para definir opiniões - que são os Strokes brasileiros, o Los Hermanos envenenados, a verdade é que há tempos ver uma banda independente chegar lá não era tão gratificante. Ligue o seu rádio, você ainda vai ouvir muito o Moptop, porque eles são fodas.
Seu Zé: Apesar do público fiel - e eles poderiam ter explorado muito mais isso - a banda fez uma apresentação morna, lenta. O horário e a expectativas mereciam uma pancada mais forte. Não foi o caso. A postura de "Zeca Baleiro encontra Zé Ramalho no fim da década de setenta" se não passar por reformas e releituras, vai soar datada e a banda acabar perdendo o timing, a hora de pegar o bonde da história. Não repetiu nem metade do que fez ano passado.
Banzé: Não é a minha preferida no Mondo 77. Prefiro o Violentures, mas mesmo assim, é um cartão de visitas e tanto. Tem um "q" de punk inglês ali que se perde às vezes em sonoridade californiana, mas tá valendo. Boa banda, divertida, letras legais, presença de palco boa, mas com muito feijão pra comer.
Nando Reis: Não tenho muito o que comentar sobre o cara que de cada dez hits que temos da cabeça, quatro são dele. Foi um show excepcional, e poderia ter sido mais, bastaria mais uma hora pra ele dar conta do recado, como dá em shows solos. Mas festival é isso, compreensível. Foi bonito de ver mais de dez mil pessoas de mãos para cima aos pedidos do cantor.
Bikini: A melhor banda de churrasco de todos os tempos. Sem você nem pedir eles tocam Nirvana, Green Day, Raul Seixas, Queen, Legião Urbana, Paralamas. Alguém avise ao pessoal do Seven, que as quintas podem bombar com Bikini na casa, hein!
No geral acho que o evento chegou a um tamanho e formato ideais e invejáveis, e que deve crescer pouco além disso. Já consegue romper a barreira de ser mídia espontânea facilmente, atrai atenção de muita gente de várias partes do país e conserva problemas provincianos.
Entre os tais problemas, um local que apesar de enorme e agradável - ao lado do mar é realmente para poucos - é um buraco, literalmente, irregular, sem locais para pôr lixo e com qualqier chuva o que era areia e barro vira lama num estalo de dedos. Eu sei que quem tá no rock é pra se fuder, mas não custa nada ter um mínimo de conforto.
Um outro ponto negativo, e que me desperta graves e sérios instintos terroristas são os camarotes. Se bem que muitas vezes eu acho essencial um camarote. De verdade: odiaria dividir o mesmo metro quadrado com as mazelas que povoam esse chiqueirinhos modernosos.
É uma tremenda falta de respeito com as bandas, e com o próprio festival, independente, ter um camarote com um som na mesma altura física do palco principal, espalhando um imundo bate estaca como se no restante do evento não estivesse acontecendo nada.
O camarote do patrocinador é mais que compreensível, e educado, diga-se de passagem, mas o seguinte merece ser TRITONrado, ou então, já que o DJ é o que mais importa, com a abertura virada para a tenda eletrônica. Aliás, o que importa ali além da pose e do desfile?! Camarote Sucks! Quer curtir? Vem mostrar que sua escova japonesa realmente funciona: na chuva!
Mas vamos ao que interessa: BANDAS! Por partes, como diria Jack.
O Sete: Grudento, radiofônico, mas não acrescenta nada ao que já se produz em dezenas de bandas cariocas atualmente. Aliás, apesar do montante de bandas de lá interessadas em vir ao MADA, conta-se nos dedos as que merecem realmente atenção, O Sete, apesar da boa excução das músicas e vocação pra ser trilha de Malhação, não está na minha lista de cariocas insuperáveis.
Filhos da Judith: A não ser pela abordagem bem humorada do rock, a banda cai na vala comum. Aliás, a cena carioca com essa homogeneização de bandas, lembra o estouro do pop rock cover em Natal no fim da década passada, não em estilo, mas em padronização. Segundo lugar muito distante do merecido Cabaret, nas eliminatórias do festival.
Tantra: Valeu pela lenda, por ver o cara da banda que salvou muitos jovens da morte ou levou-os à ela, vivo, tocando, envelhecendo pouca coisa além do que já se via nas capas dos discos da Legião. Marcelo Bonfá era ali um misto de múmia e novo, afinal muita gente ainda canta - e cantou! - Legião no show. De resto, foi bem lastimável. Fred Nascimento é desafinado, as músicas são bobas, chatas, deve ter sido muito melhor pros caras, viajarem, verem o mar e tanta gente ainda empolgada com "quando o sol nascer na janela do seu quarto...", pra eles. E só.
Ímpar: O Sete mineiro, com menos peso. Letras de banda gospel, execução de banda primária. Às vezes o que faz a banda parecer bem melhor do que é, é realmente a estrutura de primeira que o festival dá a cada uma delas. Muitas não merecem. Não é o caso do Ímpar, até merecem, mas não sairão disso.
Relespública: Das melhores apresentações do festival. Dez anos na estrada não é pouca coisa, confere maturidade, segurança e apesar da monotemática boba das músicas, conseguem mostrar serviço sem muito esforço. Vale à pena a repercussão que terão com a sequência MTV-MADA, é justa, mas como não é fácil de manter, muita estrada é só o que sustentará o nome dos caras nos palcos do país.
Cansei de Ser Sexy: Quem conhece um mínimo sobre meu gosto musical, nem sonha como me senti um pregador no deserto durante todo esse tempo tentando convencer que o CSS é fenomenal. Sabe aquele filme Nove Canções? Pois é: sexo e rock and roll. Mas há quem insista em tirar do filme aspectos sócio-políticos cosmo-filosóficos, quando na verdade é tudo simples e prático. CSS é diversão, diversão e diversão. Esqueça seus preconceitos e se jogue. Foi isso que eu vi um público ensandecido fazer diante do palco. Antológico. Pros anais do MADA.
Moptop: E já que falei de cariocas no início das resenhas, chegamos ao nome do que realmente importa. O melhor show, o mais profissional, o futuro mais promissor e justo. Digam o que quiser - e as pessoas realmente precisam de referências e comparações para definir opiniões - que são os Strokes brasileiros, o Los Hermanos envenenados, a verdade é que há tempos ver uma banda independente chegar lá não era tão gratificante. Ligue o seu rádio, você ainda vai ouvir muito o Moptop, porque eles são fodas.
Seu Zé: Apesar do público fiel - e eles poderiam ter explorado muito mais isso - a banda fez uma apresentação morna, lenta. O horário e a expectativas mereciam uma pancada mais forte. Não foi o caso. A postura de "Zeca Baleiro encontra Zé Ramalho no fim da década de setenta" se não passar por reformas e releituras, vai soar datada e a banda acabar perdendo o timing, a hora de pegar o bonde da história. Não repetiu nem metade do que fez ano passado.
Banzé: Não é a minha preferida no Mondo 77. Prefiro o Violentures, mas mesmo assim, é um cartão de visitas e tanto. Tem um "q" de punk inglês ali que se perde às vezes em sonoridade californiana, mas tá valendo. Boa banda, divertida, letras legais, presença de palco boa, mas com muito feijão pra comer.
Nando Reis: Não tenho muito o que comentar sobre o cara que de cada dez hits que temos da cabeça, quatro são dele. Foi um show excepcional, e poderia ter sido mais, bastaria mais uma hora pra ele dar conta do recado, como dá em shows solos. Mas festival é isso, compreensível. Foi bonito de ver mais de dez mil pessoas de mãos para cima aos pedidos do cantor.
Bikini: A melhor banda de churrasco de todos os tempos. Sem você nem pedir eles tocam Nirvana, Green Day, Raul Seixas, Queen, Legião Urbana, Paralamas. Alguém avise ao pessoal do Seven, que as quintas podem bombar com Bikini na casa, hein!


4 Comments:
Ainda bem que meu cabelo não precisa de escova japonesa...hahahah
Pego chuva numa boa!
Em junho to ai. Me aguarde!
beijo
Hey Rodrigo, precisamos cv sobre o biquini hein.....rs. To me saciando com seus escritos sobre o Mada viu. Cuide bem de nossa saudosa amiga.
Só faltou falar o qto Nando Reis desafinou...hehehe!É triste!!!!
sua foto com Nando Reis foi notícia nos quatro cantos do Rio Grande do Norte. Impressionante!
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