Friday, December 23, 2005

Piegas

Natal. Ano Novo. Caos. Voltando pra casa hoje, no meio de um trânsito infernal, eu pensei “de onde saiu tanta gente?”. Sinceramente, não consigo entender a relação entre o pandemônio que toma conta das ruas, das pessoas e esses clichês todos de fim de ano.

Consumismo? Mas tanta gente no meio da rua só pra comprar? Só pode ser, porque fora isso, a vida da maioria, creio eu, continua na mesma.

Convenhamos que fim de ano é uma boa época para testar nossos limites. De paciência, estômago e cartão de crédito. Fazer balanço e planos também vale.

Coincidentemente 2005 foi o primeiro ano em que fiz listinha de planos. E consegui cumprir todos eles. Não sei se por competência ou pela facilidade dos planos. Enfim.

Foi um bom ano. Mais recluso, é verdade. Acho que nunca fiquei tanto em casa, e isso foi muito bom. Mergulhei nalgumas coisas que me deram muito prazer. É o que importa.

Foram bons discos, ótimos livros lidos e relidos, uma pá de filmes inesquecíveis, algumas músicas idem. Um liquidificador cheio de segredos à dois, que não há nada no mundo que consiga resumir nem entender. Amigos que eu posso contar com os dedos de uma mão. Mais acidez, mais crítico, mais chato, mais eu. Sempre. Quanto menos concessões, melhor.

Se eu pudesse escolher uma cena pra resumir isso tudo, seria a de Scarlet Johanson, dentro de um táxi, atravessando Tóquio, ao som de Sometimes, do My Bloody Valentine. Lost in Translation.

Uma espécie de deslumbramento calmo, com novas cores, novos sons, novos cheiros. Um pouco de ansiedade é verdade, mas a paz e a segurança que ela deve ter sentido com Bill Murray dormindo do lado. E eu sei quem está ao meu lado. Quem são. Um por um.

Pra 2006? Sem listinhas esse ano. Vou no acaso, por baixo do hype, na sombra, no caminho que Deus quiser e eu puder andar. De garantia, só a disposição de correr cada vez mais atrás do que quero, ceder só o mínimo pra conviver bem com quem gosto e ser muito justo, acima de tudo, comigo mesmo.

Como diz Pablo Capistrano: liberdade, amizade e reflexão!

Bom Ano Novo.

Soundtrack 2005

Uma música: Just Like Honey, The Jesus and Mary Chain
Outra música: Sometimes, My Bloody Valentine.
Mais uma música: Something to Talk About, Badly Drawn Boy.
Um filme: Sin City - Cidade do Pecado.
Outro filme: O Jardineiro Fiel.
Mais um filme: Marcas da Violência.
Um livro: Ficar ou não Ficar, Tom Wolfe.
Outro livro: Alta Fidelidade, Nick Hornby.
Mais um livro: A Invenção de Eurídice, Iracema Macedo.

Tuesday, December 20, 2005

Takk

- Permanecer três horas dentro de um shopping, comprar um sapato, um relógio, fazer foto com o Viking em frente à casa do Cebolinha, cruzar com mais de 15 pessoas ao mesmo tempo e não sentir desejos assassinos, é uma prova contundente de como sei administrar a minha antropofobia.

- Depois de encontrar uma cópia fabricada em 1995 do disco Mellon Collie And Infitnite Sadness, do Smashing, meus ouvidos foram brindados com o excelente The Songbook Vol. One, do Super Furry Animals. Faixa 4 furando o disco. A 2 idem.

Na verdade eu acho que 2005 não foi lá esses estouros todos em bons discos lançados. O tããão aclamado Arcade Fire, pra mim fica no lugar onde Bragatto o colocou: a melhor banda de quermesse dos últimos tempos.

Eu já começo a achar também que o Franz Ferdinand é um grupo bom e ponto. Sem espaços para histeria. Foi na onda do hype. E o primeiro disco é bem melhor que o segundo.

Não sei se esperei demais do X&Y, mas uma revolução à la Ok Computer cairia bem par um terceiro disco com tanto respaldo. Sem contar o clipe de Speed of Sound e uma idéia chupinhada de Crystal, do New Order.

E por falar em New Order, fraquinho, fraquinho...

A minha reserva deste ano, fica por conta do Queens Of The Stone Age, Weezer, The Magic Numbers e Sigür Rös. De resto, só os bons e velhos discos que volta e meia eu pude encontrar, revirando minhas coisas. No meio disso tem Teenage Fanclub, Flaming Lips, Badly Drawn Boy ad infinitum.

Nacional? Comento depois com mais calma. Mas por enquanto, vou de Roberta Sá, MQN e Luxúria.

- Leiam: Revista Coquetel Molotov #1. A melhor relação conteúdo-design gráfico do ano! Monstra! Independentes ou morte!

- Cinema? Calma, a lista é longa, precisa de cuidado e esmero. Mas tem Sin City,Cidade Baixa e O Jardineiro Fiel, com certeza.

- Minas Gerais. Aí vou eu! Bom Natal pra quem gosta.

Saturday, December 17, 2005

Kong

Antes que alguém se manifeste, eu quero avisar que estou cagando para os que dicordam de mim, no concerne a King Kong.

Peter Jackson: Não passa de um nerd hipervalorizado pela crítica sedenta por carne nova, minimamente disposta a fazer todas as concessões que os grandes estúdios exigirem. É um diretor mediano, cercado de ótimos diretores de arte e designers fuderosíssimos. A única coisa boa de Peter Jackson, é ser muito parecido com o falecido Tom Capone, esse sim, alguém que merecia palmas.

Naomi Watts: Uma espécie de Nicole Kidman dos pobres. Não lembra, nem de longe, a interpretaçao de filmes como 21 Gramas. Sem contar que em alguns momentos do filme, ela é quem mais se assemelha a um macaquinho de circo. Alterna momentos de beleza extrema e outros tipo "garota catrevagem".

Jack Black: Eu malhei dele no post abaixo, mas é o melhor ator do filme. Tirando o fato do diretor dizer que o personagem de Black é inspirado em Orson Welles, como se o gênio de Cidadão Kane fosse apenas um picareta, Black beira a excelência.

Adrien Brody: Esse sofre da síndrome de um personagem só. Não há uma cena do filme, mesmo quando ele está cara a cara com King Kong, em que você não lembre dele revirando latas atrás de comida, em O Pianista. O cara tem cara de gente boa, saca? Mas trancaram o campo de concentração e jogaram a chave fora. E pense numa lapa de venta!

Galera: Cara, o mais divertido do filme são os coadjuvantes. Tem pernilongo tamanho família (mais ou menos do tamanho de uma Coca-Cola Pet de 2L), tem manada de dinossauro (sim, Jurassic Park Rulez!) ensandecida num corredor minúsculo, para os padrões desses animais, claro.

Cara, você consegue imaginar ao invés de um terreiro, um verdadeiro estádio de macumba? Pronto. Mais ou menos 1.000 pais de santo em transe, e que surgem das pedras. A aparência deles é mais ou menos a mesma de Saddam Hussein quando foi encontrado pelos americanos, num buraco.

King Kong, o macaco: É uma pena o diretor não inovar nessa versão, e coroar o filme com uma cena de sexo selvagem (sem trocadilhos, por favor), com Naomi Watts. Ele é uma graça, sensível, carinhoso, protetor, uma "môfa" por assim dizer.

King Kong, o filme: Merece atenção. Sim, atenção do Ministério Público americano, que deve investigar como se torram 207 milhões de dólares assim, do nada. Eu suspeito que deve ter o dedo de Guilherme Fontes nesse filme...

Computadores: Sem designers que escutam Weezer dia e noite, e programas de altíssima tecnologia, King Kong não seria assim... digamos, que uma espécie de workshop de três horas sobre novos recursos do Corel Draw e Adobe Ilustrator.

Eu; Cagando e andando pra opinião da crítica especializada, pros que entendem de cinema. É minha opinião e ponto final (quando se termina uma frase com essa expressão, há necessidade de colocar o ponto ainda?)

Wednesday, December 14, 2005

King

- Na boa? Vou ver King Kong só porque não pago cinema =) E meu pessimismo não é nem por causa do trailler, que me pareceu mais um remake trash, com direito a Jack Black com a maior cara de balconista em High Fidelity, e dinossauros dignos de Jurassic Park IV - O Mundo Encontrado. Esperemos.

- Árnoud Chuazenéguer na maior putaria no carnaval do Rio? Ao som de "oi, pega no ganzê, oi, pega no ganzá"? Bizarro meu caro Watson...

- O Mágico do Óleo. Faz sentido.

- Melhor definição de As Crônicas de Nárnia, pelo melhor comentarista de cinema de todo Bairro de Ponta Negra em Natal-RN, Fêfo: "É o tipo de filme 16x. Sim, aquele que você aluga o DVD e de tão ruim você assiste o filme todo em velocidade 16x esperando uma cena de morte ou putaria".

- Será que Lula é mesmo uma fênix? Até hoje nenhum presidente da república recente, conseguiu eleger-se com níveis de rejeição acima de 40%. Lula já bate seis pontos mais que isso, segundo o Ibope (tá, eu sei que não dá pra confiar um cheque em branco ao citado instituto, mas não deixa de ser uma tendência).

- Atenção galera do PT, a salvação está no texto de Jão Saraiva =*

- Quais os discos da semana? Acústicos e Valvulados - Creme Dental Rock e Pulp - This is a Hardcore.

- Leiam Totem e Tabu, de Freud. Conheçam-se.

Monday, December 12, 2005

Lados

No post passado Pilar me perguntou, se a direita podia reclamar de algo. Não. Porque, ao menos para quem tem um mínimo de bom senso e acesso a informação decente, não há o que se esperar da dita cuja.

A esquerda é que, quando não – reconhece-se aqui méritos de tais atos – lutou arduamente com poucos heróis e muitos pelegos, é verdade, por democracia, vestiu-se na maioria das vezes com um discurso messiânico contra os males apocalípticos da direita.

Deu no que deu. Hoje ninguém sabe quem é quem. E os que pensam que sabem, acham que são donos da razão.

O problema de analisar ideologias no Brasil, é justamente a inversão de idéias e valores que permeia a nossa política, e como citei anteriormente, toda América Latina.

Que discurso na última campanha se aproximava mais da esquerda? O de José Serra. Era ele quem defendia juros mais baixos, por exemplo. Enquanto isso, o que fez o PT? Redigiu uma “carta ao povo brasileiro”, que na verdade, era destinada aos especuladores internacionais, pregando e garantindo a permanência do quadro desastroso que FHC deixou ao sair da presidência.

A verdade, é que só aqui e em mais alguns rincões do mundo, a idéia maniqueísta de direita-esquerda parece ter uma sobrevida. A política moderna e os problemas que nem um lado nem outro conseguiram resolver, pedem muito mais que meros embates como se fosse m jogo de bandeirinha entre antagônicos.

Há que se forjar novas opções, mesmo como balões de ensaio nem sempre vitoriosos em metas e ações, como a terceira via inglesa. Há que se reformar as idéias arcaicas que os partidos esquerdistas latinos ainda guardam, de paranóia anti-ianque, por exemplo.

Direita, esquerda, isso é balela. Infelizmente ainda temos que nos haver com isso. Um governo, e seja lá de que partido ou idelogia for, precisa preocupar-se com bem estar social, desenvolvimento, proteção do meio ambiente e acima de tudo educação.

Por isso, nem a direita, muito menos a esquerda, têm o direito de nada. Nem de reclamar, nem de propor. Eles têm o direito sim de mudar. E o povo, o dever de exigir.

Qual o melhor lugar? O centro. O ponto da razoabilidade. O lugar onde se ouça os dois lados e sintetize as idéias. Em cima do muro? Pelo contrário: sem muro algum. As idéias precisam fluir, de um lado a outro, e o que se filtre delas, ser usado em favor do povo. Sejam as idéias de direita ou esquerda. É isso.

Ps.: Pra não dizer que não falei das flores... As Crônicas de Nárnia é um dos piores filmes do ano. Cotação: podre. O Exorcismo de Emily Rose é um filme na média. Vale pela apresentação sem tomar partido, dos dois lados das considerações sobre exorcismos e ocorrências sobrenaturais.

Friday, December 09, 2005

Oh my!

- Procurando uma banda legal? Belasco. De verdade, eu tinha perdido a esperança de encontrar algo realmente interessante no Ceará. Ouça. Viaje. Elementos dos Kinks, Beatles e mais uma pá de coisa boa dos anos 60, sem deixar de ser moderninho.

- O ponto crucial de tudo é você ter referencial. O resto é mercado de secos e molhados.

- Não, eu não teno nada contra a esquerda. Eu tenho contra esquerdistas. Sinceramente eu acho que a ideologia socialista, social-democrata ou seja o nome que você queira dar a isso, passa por um período difícilimo justamente por não saber diferenciar pessoas de idéias, uma crise de identidade profunda.

Não há como viver de mitos, o mundo precisa de respostas e não apenas suposições e punhetagens intelectualóides. Mesmo quando eles ruem, não deixam de ser mitos. José Dirceu é só mais um retrato do fracasso da famosa "geração de 68". Um mito . Um mito da vitória, que agora virou mito da desilusão.

A crise estrutural da esquerda tira por completo, e isso começa a ser percebido na América Latina só recenmente, o direito da mesma rugir com seus petardos de razões e explicações. Não há condições morais nem de atos nem de idéias da esquerda reclamar mais nada. Nem justificativas, muito menos soluções. Uma rede tão furada, não pode reclamar peixe algum. Que se reforme.

O mal da esquerda foi moldar-se demais ao mundo capitalista, tendo em vista a queda dos seus regimes desde 91? Ou foi justamente não ter como moldar-se às novas realidades? Ou foi fundir-se dentro das próprias crises, e fingir que estava tudo bem tentanto "trocar pneus com o carro andando"?

Respostas. Se você não pode dar, cale-se. E quando puder, não mostre-se infalível. Estamos tratando de humanos.

- A nova Sexy está um luxo. Clean, charmosa, fotos deliciosas. E melhor: conseguiu tirar JR Duran da Playboy. Foi um gol de placa. O negócio agora tá pau a pau (sem torcadilhos por favor).

Extra: Como prometido, este blog sempre coopera com o seu orçamento mensal, poupando-o de gastar alguns reais com a Playboy.

Como disse antes, a briga tá feia. Aliás, linda, rs. Esse mês eu fico com a Sexy. Pela brancura que me encanta e JR Duran.

Thursday, December 08, 2005

Futura

Texto meu. Saiu no jornal.

O FUTURO JÁ COMEÇOU

A despeito da influência do maracatu e seus baques soltos e virados que marcam o som da banda pernambucana Nação Zumbi, a história do grupo, hoje, é sim o retrato da recuperação de um baque forte.

A morte de Chico Science, líder do grupo e um dos mentores do movimento musical mais expressivo da década de noventa no Brasil – o Manguebeat, anunciou à época o que seria uma conseqüência previsível: o fim do grupo.

No entanto, como o próprio Chico já anunciara anteriormente, "a cidade não pára, a cidade só cresce". Apesar dos pêsames e pesares, o legado do "caranguejo com cérebro" prosseguiu e, com sua antena fincada no mangue, captou novos sons que hoje já não deixam dúvidas do quanto a Nação está "bem, obrigado".

Nessa leva de produções post mortem-fênix, a banda lançou discos lineares na qualidade, sonoramente inovadores e ainda despertou nos palcos talentos que, até então, estavam cobertos pela onipresença de Chico, como as participações nos vocais de Toca Ogan e Gilmar Bola Oito.

Se o carisma de Jorge Du Peixe, que largou os tambores e assumiu o microfone, pode ser questionado, em compensação, percebe-se um salto na monotemática das letras, agora não apenas tratando de samba, lama e maracatu.

A maré encheu e os canais agregaram mais influências à música dos zumbis. Trip Hop, Surf Music, música oriental e os elementos de sempre: muita guitarra, tambor e psicodelia. Juntem-se a isso letras recheadas de metáforas como "Prato de Flores", do penúltimo disco. Uma música a ser tocada em qualquer lounge do mundo, e com louvor.

Apesar dos saltos e giros que a banda deu, agora com as próprias pernas, a raiz do que foi forjado em Recife continua a mesma: universalização de elementos regionais e pós-modernidade.

Para quem achava que a evolução tinha atingido seu ápice com os últimos dois discos, a Nação Zumbi, na esteira da vanguarda, pôs recentemente nas prateleiras mais um petardo: o Futura.

É um disco cheio de novas texturas, repaginando baião e samba com música eletrônica e jazz. Letras , como sempre, fortes e cruas, como as das músicas "A Ilha" e "Memorando", e surpresas, como o berimbau envenenado de "Nebulosa", fazem de Futura um disco surpreendente, mas não de fácil audição inicial.

Apesar do título, a música que dá nome ao álbum é a mais retrô, ao contrário de "Sem Preço", que suportada por um naipe de metais soa viajante e convidativa.

Lúcio Maia continua se destacando muito mais pela versatilidade e bom uso de novos e viajantes efeitos do que pela virtuose na guitarra. Uma benção musical.

Não é bom esperar tanta semelhança com o disco anterior, muito menos com o Rádio S.A.M.B.A., que trouxe para as rádios a festivas "Meu maracatu pesa uma tonelada" e "Quando a maré encher".

Futura é um disco mais denso, soturno e, aparentemente, calmo. Aparentemente. É provável que receba a alcunha de "maduro" por alguns. Pouco importa. Na verdade, o disco é mais uma pedra no alicerce que a Nação Zumbi constrói longe da égide de Chico Science.

Pela diminuição na marcação do tempo dos metrônomos, o ouvinte de primeira viagem pode duvidar que o disco funcione tão bem no palco, como os anteriores. Mas isso pode ser conferido neste sábado, quando o grupo se apresenta na Ribeira, aqui em Natal. Altamente recomendável para quem tem sede de futuro.

Tuesday, December 06, 2005

Feliz

Quando algum resquício de tristeza invadir tua alma; quando o mundo resolver te mostrar o quanto é injusto, cruel e desigual; quando nenhuma guerreiro Jedi se dispuser a ajudar você nos momentos mais difíceis... leia o blog de Luana Piovanni:

"Isso mesmo! Eu, adoravelmente, terminei de ler meu último companheiro de 6 meses, meu fiel amigo de cabeceira, meu gorducho livro! Gabriel e eu realmente nos entendemos! Cem Anos de Solidão me fez viajar por lugares quentes, me apresentou mulheres loucas e admiráveis e ainda me descreveu uma cena de amor enfestada de borboletas amarelas... Despedi-me dele feliz, cheia de histórias novas e com uma sensação boa de respeito por uma coisa tão simples, pequena e poderosa: o livro! Agora ele ta lá, na minha estante... se juntou ao meu “ourinho”..."

Ps.: Eu acho no mínimo razoável uma CPI para que a jovem acima explique o ela quis dizer com "meu ourinho".

Monday, December 05, 2005

Roads

Calor, calor, estradas, cidades esturricadas, sertão seco. Foi meu roteiro no fim de semana. Voltei ao lugar de onde saí. E saí pro mundo.

Um mundo que não me conhece. Cores, sons, sabores, cheiros. Um mundo de gente que acha que o que me formou a ferro e fogo foi o Britpop e cinema tarantinesco. Isso são só badulaques com os quais me entreto.

Forjei um eu escondido, entre os galhos secos das juremas que estalam na seca, forte, seco, duro mas muito sincero, para poucos acima de tudo. Silencioso, quebrado uma vez ou outra pelo som da cigarra no mato.

Aprendi tanta coisa, e a defender o que eu gosto com tanta garra que me submeto a adjetivos nada agradáveis, só pra ter dentro de mim o máximo de satisfação no que faço.

Quem aprendeu a cavalgar aos sete anos? Quem tomou banho na primeira sangria do açude? Quem acordou às quatro da manhã pra acompanhar a ordenha do gado? Quem sentiu o cheiro do pão de milho quentinho feito pela avó na fazenda?

Um monte de prazeresinhos, que eu não vendo, não cedo, não alugo. São meus. Ninguém toma. Foi isso que me formou. Enquanto isso eu confundo e divirto a turba com os badulaques.

O que eu ouvi na viagem? Weezer. Maladroit =P

Thursday, December 01, 2005

Cantada



É só porque eu ando com a maior cara de leso mesmo. Carregando embaixo da língua um monte de segredinhos deliciosos, uma risada que não sai da minha cabeça e a cor dos olhos dela quando acorda. Eu sinceramente, estou nem aí pro resto do mundo.

Depois de ter você...
Pra que querer saber
Que horas são
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve uma canção
Como essa...
Depois de ter você
Poetas para que
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas
Para que servem as ruas?

(Calcanhotto)