Piegas
Consumismo? Mas tanta gente no meio da rua só pra comprar? Só pode ser, porque fora isso, a vida da maioria, creio eu, continua na mesma.
Convenhamos que fim de ano é uma boa época para testar nossos limites. De paciência, estômago e cartão de crédito. Fazer balanço e planos também vale.
Coincidentemente 2005 foi o primeiro ano em que fiz listinha de planos. E consegui cumprir todos eles. Não sei se por competência ou pela facilidade dos planos. Enfim.
Foi um bom ano. Mais recluso, é verdade. Acho que nunca fiquei tanto em casa, e isso foi muito bom. Mergulhei nalgumas coisas que me deram muito prazer. É o que importa.
Foram bons discos, ótimos livros lidos e relidos, uma pá de filmes inesquecíveis, algumas músicas idem. Um liquidificador cheio de segredos à dois, que não há nada no mundo que consiga resumir nem entender. Amigos que eu posso contar com os dedos de uma mão. Mais acidez, mais crítico, mais chato, mais eu. Sempre. Quanto menos concessões, melhor.
Se eu pudesse escolher uma cena pra resumir isso tudo, seria a de Scarlet Johanson, dentro de um táxi, atravessando Tóquio, ao som de Sometimes, do My Bloody Valentine. Lost in Translation.
Uma espécie de deslumbramento calmo, com novas cores, novos sons, novos cheiros. Um pouco de ansiedade é verdade, mas a paz e a segurança que ela deve ter sentido com Bill Murray dormindo do lado. E eu sei quem está ao meu lado. Quem são. Um por um.
Pra 2006? Sem listinhas esse ano. Vou no acaso, por baixo do hype, na sombra, no caminho que Deus quiser e eu puder andar. De garantia, só a disposição de correr cada vez mais atrás do que quero, ceder só o mínimo pra conviver bem com quem gosto e ser muito justo, acima de tudo, comigo mesmo.
Como diz Pablo Capistrano: liberdade, amizade e reflexão!
Bom Ano Novo.


