Fraque. Sorriso 16 disfarça e goza. Se eu não fugir, é claro. Eu flagelo, tu flagelas. Todos os meus “eus” geminianos suados de pânico em cima da cama sem conseguir pôr os olhos no mundo e acordar pro dia do juízo final. Acordei. É simples. Um vida assim um carro-em-ponto-morto-dois-beagles-três-filhos-e-almofadas-na-sala.
Mingau de aveia, calcinha de algodão, palavrão e trepadas no banheiro-atrasados-pro-sábado-à-noite-na-casa-dos-amigos. E aqueles dias em que vou acha-la a mulher mais linda do mundo levantando da cama com cabelos desgrenhados e bafo do cão. E daí? Mais gostosa que todas as minhas primas juntas. E mesmo quando ela alternar o humor de 0 a 100 km em 5 segundos vou entender e ficar do seu lado. E quando ela chorar do nada e sem saber porquê.
Ah, se fosse fácil assim. O que diabos vou dizer pra mim que sempre jurei não me prender a nada que não pudesse soltar em três segundos caso minha mãe abrisse a porta do quarto de repente? E as lâminas que trago nos bolsos ou coladas aos dedos dilacerando minha alma todo fim de tarde? Cara, e se eu virar feliz?! Eu não admito tentar dar certo tão fácil.
E a depressãozinha básica ouvindo Janis e enchendo a cara de neosaldina com coca-cola? Uma coisa não pode me fazer bem a ponto de exorcizar os desejos suicidas após as três da tarde no domingo. Não. Eu preciso desse monte de borboleta zuretando no estômago. E punheta. Muita. Que é só o que me faz feliz na vida e a sopinha de arroz da minha mãe.
Mas. E se eu me render no meio do caminho e adorar ter trocado tanto rock and roll de boutique por um chazinho de erva cidreira e os pés dela colados nos meus quando esquecer de fechar a janela e me encolher todo de frio? A vida é uma merda. Principalmente quando vai dando certo. E pior que vai. Ela: o rio de mercuriocromo onde eu mergulhei as feridas e os medos que vieram junto com seus abraços.
Tava pra ver alguém que fosse do meu pau até o coração tão rápido. Nossa, e como ela sobe com fome. Menina pra casar. Fode que é um absurdo. Inteligentíssima. Recita Sartre depois que goza, dá pra tu? Ela que juntou todos os meus cacos espalhados nas linhas e parágrafos das crônicas que eu cansei de rabiscar em guardanapos. E diz como quem não quer nada que o que mais admira em mim “é essa tua independência”.
Puta merda. Se ela soubesse o tanto de agonia que me faz acordar no meio da noite achando que vou ser deixado na próxima esquina feito um cão sem dono. Foi numa tarde acinzentada que eu a pedi por inteiro, com defeitos e paranóias, porque só tem graça se vier com veneno, espinho e mel. Tudo de uma vez, pra sacar o baque e a delícia de ter uma vida inteira invadindo seu tédio e o que sobrou de esperança. Ela que tem os olhos castanhos-cor-das-folhas-que-caem-nas-ruas-da-lagoa e mamilos M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O-S.
Eu apertando meu beck na capa dos morangos mofados pra fumar na varanda porque ela odeia fumaça. Nem reclamo. E se der errado e eu disser que puta que pariu vai ser chata assim na casa do caralho, vê se não amola e ver que foi um erro e que daqui em diante cada um toma seu atalho você fica com as crianças e a casa, não se preocupe, ainda te amo mas você sabe que não podemos insistir nessa história.
E mesmo que eu diga, pense isso tudo, não tenho como esquecer tão fácil e apagar a tatuagem que suas unhas deixaram nos meus poros e o seu gosto de sossego quando encosta as coxas em minha boca. Sim, aceito!