Hello!
Is there anybody in there?
Acho que estou mudando. Ainda não agreguei valores a isso. Mas estou.
Ontem quando assisti o noticiário da Globo sobre os recentes escândalos políticos no Brasil, o volume de informação e a forma como foi exposto passou por três moinhos.
Primeiro o do nojo. O Jornal Nacional deixou para o segundo bloco, após o programa eleitoral, a exibição de todas as matérias sobre a corrupção, a repercussão e a reação do governo.
Pensei: Pô! Putaria do caralho! Explico: sabe-se que o horário eleitoral gratuito é algo odioso, e que normalmente, pelo menos metade das pessoas desligam suas TVs ao primeiro anúncio do mesmo.
Ao término do programa político, o público que chega para ver TV, é a audiência da novela. Ou seja, pelo menos em tese, 30% apenas do público do jornal, é o da telenovela, que está muito mais preocupado com as agruras de Débora Secco nos EUA, que com as denúncias de Roberto Jefferson.
A repercussão entre os interessados no assunto acaba sendo muito aquém, caso a matéria tivesse sido veiculada antes do horário eleitoral gratuito.
Depois veio a indignação. Explico: o Jornal da Globo, que em tese é direcionado a um público mais qualificado (ou pelo menos que sofre de insônia), foi exibido por volta de uma da manhã. Após o filme Carandiru.
Se pouca gente vê esse jornal, imagine a essa hora da madrugada, quando a grande massa está nas suas míseras horas de sono, ou masturbando-se vendo João Kléber.
Pra completar, a matéria exibida foi de uma parcialidade digna da Globo. Protegeu-se o quanto pôde a corja do PT (Dirceu, Lula e Palocci), descendo o chicote em Roberto Jefferson, o "homem da tropa de choque de Collor". Sim, o mesmo Collor que a recebeu o apoio da Globo (vide debate de 89).
Calma. Respire até dez. Respirei. Aí veio o tiro seco. A Globo, por enquanto, está correta.
Há três semanas, quando o Fantástico fez um estardalhaço com a mesada que os deputados de Rondônia cobravam do Governador Ivo Cassol, com direito a gravação e polêmica em torno da probição pela Justiça daquele estado quanto à exibição da matéria.
A Globo, no caso de Rondônia, incitou, de certa forma a revolta, o protesto. Legítimos, claro. O que ela não esperava, muito menos o Planalto, é que dias depois o mesmo escândalo tivesse um foco nacional.
Agora a coisa fede em Brasília. Não há justiça proibindo a exibição de nada. O caminho está livre. Por que proteger o governo?
Aí entra o que eu chamo de "responsabilidade midiática". A Globo, com seu poder explosivo de maior veículo de comunicação nacional, poderia muito bem empunhar a bandeira do caso, e fazer, em longa escala, o que fez em Rondônia.
E porque não o fez? Não há condições. Uma coisa é você fomentar o protesto das massas num estado que deve ter 80% do território de mato. Outra coisa é fazer a campanha como fizeram contra Collor.
Àquela época, o Brasil, recém saído de uma ditadura, e precisando fortalecer esse instituto tão frágil, precisou mostrar de forma pacífica e politicamente correta, respeitando suas instituições, que saberia lidar com problemas graves, seja de quem for. Um presidente renunciou, por vias democráticas e o poder estava a salvo.
O Brasil ainda precisa dar mostras de quem possui instituições fortes o bastante, para não se deixar levar pela mentalidade de risco a democracia.
Mas não de forma tão precipitada. Não é hora, ainda, da Globo transformar o Brasil, numa Rondônia, ou num segundo "Fora Collor!".
Esperemos um pouco mais a apuração das denúncias. O povo saberá o time, a hora de ir às ruas se preciso for. E acho que irá. Eu não, Não levanto da minha cadeira confortável por nenhum ato político.
Pelo menos por instantes, o nojo e a indignação, deram lugar a uma passageira resignação. A Globo, por agora, está correta. Ainda não é hora do caos. E eu jamais pensei que iria pensar isso.
Pô, tem sorvete de creme com passas aí?